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SÉTIMA ARTE – Publicada em 08 de março de 1967

7ARTE

COMENTANDO: – Qualquer que sejam os aspectos pelos quais as manifestações do homem se apresentem na sociedade, elas trazem, de uma forma ou de outra, a indelével marca de sua personalidade, de seus sentimentos. O Cinema, como linguagem não foge à regra.

Assim é com a obra que seus criadores – aqui, o diretor, o ator, o técnico, etc. – expõem aos olhos de uma plateia em geral, a mais heterogênea possível. Dentro desse conceito de manifestação, ainda que a contragosto dos exigentes, englobam-se desde o mais descalibrado “western” ou a chanchada mais intragável até as realizações que por seu conteúdo, mensagem ou mera exposição da problemática social, conseguem atingir um nível em que a arte em si se faz presente em toda a sua plenitude e em que a tônica é, sem dúvida, o sentimento.

Entenda-se como sentimento não apenas o cunho pessoal imprimido à obra fílmica como resultante de um trabalho interior, mas também aquela condição primária tão necessária ao espectador para que a mensagem, o conteúdo e os problemas sociais expostos atinjam o seu objetivo: a comunicação.

E aí está, por sua vez, a condição primeira para que uma obra cinematográfica obtenha a reciprocidade de ação, identifiquem-se espetáculo e espectador a fim de que, através do primeiro, seja transmitido ao segundo todo esse conjunto de elementos estéticos, visuais e auditivos, ritmo, etc., tudo, enfim, formando uma autêntica linguagem cinematográfica e objetivando a expressão verdadeira de uma arte.

 

O QUE PASSOU

“Um Biruta em Órbita” – um filme que ninguém entendeu. A começar pela censura que o proibiu para menores de 18 anos. Jerry Lewis, agora transformado num sério (?) astronauta americano às voltas com um não menos sério (?) cosmonauta russo, imaginem onde… na Lua! E para complicar (ou simplificar) a estória cada qual com sua respectiva cara-metade. Resultado: dupla lua-de-mel em nosso satélite natural…

“Louca Juventude” – Voltou Joselito às nossas telas, mais crescidinho, comovendo corações com sua voz privilegiada e um rostinho infantil até demais, numa estória bastante insossa. Como se não bastasse, Joselito é o pivô de um romance que, sinceramente, tange ao ridículo.

“Jogador Romântico” – Warren Beatty vê-se envolvido num verdadeiro caleidoscópio de acontecimentos. Seu desempenho deixa muito a desejar e não poderia de outra maneira pois o enredo nos parece um pouco confuso.

“Sublime Loucura” – Verdade seja dita: Sean Connery tem-se esforçado para deixar de ser 007. Mas volta e meia a impressão que nos dá é sempre a de que o famoso agente secreto ainda não abandonou Sean. Apesar do vigor, “Sublime Loucura” nos oferece um Connery sem comprometer, num gênero que tem algo de peculiar com seus desempenhos anteriores. Violência até dizer basta, mesmo para o poeta que o ex-007 encarna.

 

GENTE & COISAS DE CINEMA

O filme nacional “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, obteve a cotação máxima da revista francesa “Paris-Match”. Aliás, o próprio Glauber foi considerado por Luíz Buñuel como a maior revelação desta década. | A película “O Caso dos Irmãos Naves”, que tivemos oportunidade de ver há pouco em nossas telas, abrirá a I Semana do Cinema Brasileiro em Moscou. | “Darling”, estrelado pela magnífica Julie Christie, além de obter 3 “Oscars”, já arrebatou mais 17 prêmios internacionais. | O veterano Billy Wilder volta a dirigir seu ator predileto, Jack Lemmon, em “Uma Loura Por Um Milhão”. Quase simultaneamente: Sammy Davis Jr. Separa-se de May Britt e Frank Sinatra de Mia Farrow. Ambos os casais admitem a separação, não o divórcio. | “A BÍBLIA”, a maior realização cinematográfica segundo o noticiário, será exibido em Belém proximamente. | A programação para Macapá, contudo, continua fraca.

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